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Alimentação nos distúrbios ginecológicos atuais

Atualizado: 14 de out. de 2023



Milhares de mulheres ao redor do mundo são acometidas por algum tipo de distúrbio ginecológico, o que impacta diretamente a sua qualidade de vida.

Esses distúrbios podem ser classificados como benignos, é o caso do mioma uterino, da endometriose e da síndrome dos ovários policísticos (SOP), ou como disfunções malignas, como os tumores do sistema reprodutor, que causam alterações no fluxo da menstruação, dor pélvica, anovulação crônica, hiperandrogenismo e infertilidade, com aumento do risco de mortalidade.


Apesar de essas comorbidades terem etiologias diferentes, compartilham de uma característica em comum, carecem de um tratamento médico eficaz com a preservação do sistema reprodutor funcional. Sendo assim, algumas medidas são essenciais para a prevenção e tratamento desses distúrbios, destacando o papel fundamental da boa alimentação e hábitos de vida saudáveis.

E para compreender melhor a função da dieta e da nutrição nos distúrbios ginecológicos, uma revisão recente trás orientações atuais baseadas em estudos científicos, de como a alimentação contribuiu com o tratamento e prevenção dessas disfunções.



O papel da dieta na saúde


Sabemos que uma boa alimentação tem papel fundamental na manutenção dos processos fisiológicos, logo que, uma alimentação deficiente em nutrientes podem trazer inúmeras alterações ao organismo.

Nesse sentido, estudos mostram que alguns nutrientes, como as vitaminas D, A, E, o selênio, zinco, e o ômega 3, além de serem excelentes no processo anti-inflamatório, tem funções bem definidas no processo antioxidante, contribuindo com prevenção de diversas doenças.

Sendo assim, uma dieta rica nesses nutrientes seria interessante no tratamento de múltiplas comorbidades.


A nutrição nos distúrbios ginecológicos:


E falando do papel da nutrição e da dieta na saúde, trazemos algumas orientações que auxiliam no processo terapêutico e profilático dos principais distúrbios ginecológicos.

A dieta e a nutrição no Mioma Uterino

Os miomas uterinos, ou também conhecidos como leiomiomas uterinos, são um tipo de nódulo benigno que pode atingir de 70-80% das mulheres em idade reprodutiva, causando inúmera alteração no ciclo menstrual.

Apesar de ser recorrente, pouco se sabe na literatura a sua causa, no entanto, alguns pesquisadores relatam que alguns fatores genéticos, idade, etnia e estilo de vida, têm forte ligação com o seu surgimento.


Com isso, estudos destacam que dieta rica em vegetais e frutas, principalmente as frutas cítricas, maçã, repolho, brócolis e tomate, associada a menor ingestão de cafeína e bebidas alcoólicas, tem tido forte ligação com redução da prevalência de mioma em mulheres em idade reprodutiva.

Quanto às vitaminas e ácidos graxos essenciais, pesquisas antecedentes mostram que a ingestão adequada de vitamina A pré-formada (origem animal), vitamina D e ômega-3 marinho tem correlação com menor incidência do mioma, uma vez que a ingestão deficiente desses nutrientes foi associada a uma maior incidência do tumor.


Além disso, ainda há recomendações sobre a ingestão do chá verde e sua eficácia na diminuição dos sintomas causados pelo mioma, no entanto, são necessárias mais pesquisas sobre a relação entre o chá e o distúrbio.


A dieta e a nutrição na Endometriose:


Atingindo de 6 a 10% das mulheres, a endometriose é uma doença estrogênio-dependente, caraterizada pela intensa dor pélvica, sendo uma das causas de infertilidade feminina.

Apesar do seu tratamento a base de medicamentos hormonais serem definidos e amplamente recomendado pelas sociedades médicas, a adequada alimentação tem tido forte ligação com a prevenção e controle de sintomas da doença.


Alguns estudos mostram que além da introdução de uma dieta rica em frutas e vegetais, com ingestão adequada da vitamina D, ômega-3, vitamina C e E, a diminuição do consumo de carnes vermelha tem sido associada com menor incidência da doença, logo que, atuam no processo oxidativo, comum na etiologia da endometriose.


Além disso, pesquisadores ainda destacam um importante papel do resveratrol, componente presente em plantas, nozes e vinho, do chá verde e da curcumina na proteção e melhora de sintomas, no entanto, alguns desses estudos têm dados conflitantes e demandam mais investigação.


A dieta e a nutrição na Síndrome dos Ovários Policístico (SOP):


Caraterizada pela presença de cistos na parte externa do ovário, a síndrome do ovário policístico, ou SOP, é uma das síndrome ginecológicas mais recorrentes entre mulheres, causando além de inúmeras alterações no ciclo menstrual, um maior risco de doenças cardiovasculares, resistência à insulina, síndrome metabólica e de DHGNA.


Apesar de ter etiologia desconhecida, acredita-se que um conjunto de fatores de influência genética e ambiental tem forte ligação com o seu surgimento, com isso, além do tratamento medicamentoso, especialista recomendando a alteração do estilo de vida dessas mulheres.

Uma das alterativas amplamente recomendada é a inserção da dieta DASH e low carb, pois além de auxiliar na perda de peso, também contribui com a regulação da insulina e dos hormônios associado ao SOP.


Já quando falamos de nutrientes especifico, alguns estudos mostram que a suplementação de vitamina D, vitamina E e coenzima Q10 auxiliou na regularização do ciclo menstrual de mulheres com SOP, contribuindo também com os sintomas secundários da doença como, a resistência insulina e no controle de peso.


Além desses nutrientes, alguns pesquisadores ressaltam a importância da ingestão regular do inositol e do selênio, logo que níveis baixos dos nutrientes foram encontrados em grande parte das mulheres diagnóstico de SOP, associando os compostos com uma maior prevalência.



A nutrição nas disfunções malignas:


Assim como nas comorbidades benignas, a nutrição tem seu papel essencial na prevenção de neoplasias ginecológicas.

Como discutido a cima, uma dieta rica em frutas e vegetais, a diminuição do consumo de carne vermelhas, doces, bebidas alcoólicas e o controle da obesidade são medidas associadas não só à prevenção de comorbidades ginecológicas benignas, mas também como estratégia de prevenção do câncer cervical, de ovário, uterino e até de mama.

Sendo assim, ressaltamos, que um acompanhamento regular, não só do ginecologista, mas também do profissional de nutrição participa, diretamente e indiretamente com a saúde da mulher como um todo.

Referência

Afrin, S.; AlAshqar, A.; El Sabeh, M.; Miyashita-Ishiwata, M.; Reschke, L.; Brennan, J.T.; Fader, A.; Borahay, M.A. Diet and Nutrition in Gynecological Disorders: A Focus on Clinical Studies. Nutrients 2021, 13, 1747.

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